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  • ressoameucanto

DIA #11

Atualizado: 12 de fev.

Hoje acordei ao som de uma chuva torrencial. Logo na minha primeira folga do novo trabalho. Adeus, Carnaval. Os blocos Baque do Tejo e Baque Mulher vão pra rua como manifestação pela imposição de valores absurdos impostos pela Câmara Municipal de Lisboa para a realização dessa festa. Mas, como dizem os blocos "Carnaval é resistência e resistência e resistência é florescer em qualquer lugar."


A chuva agora deu uma trégua. Talvez os ventos mudem e levem meu coração a atravessar o rio.


Por falar em coração, tenho parado para senti-lo muitas vezes e sinto que estamos cada vez mais alinhados. Ainda dói a distância de coisas que gostaria de estar vivendo e fico me perguntando se o que sinto é amor ou carência ou culpa ou saudade. Mas cada vez mais sinto que já aceitei meus erros, nem sinto vontade de me envolver com ninguém, não sinto que estou carente, nem conseguiria suprir a saudade com outra pessoa. Até pq meu coraçáo sempre escolhe as pessoas muito antes da minha razão perceber. Lembro da primeira vez que nos vimos (quando eu estava dobrando a esquina para fazer xixi numa rua mais escondida) e eu já sabia que ficaríamos juntos. E assim sempre foi o início dos meus relacionamentos. Sei o que sinto. Sei que amei. Sei que amo e que ainda não estou aberta à possibilidade de desistir desse amor. Mas tenho a consciência de que mesmo se ambos quiséssemos estar juntos, agora não existe essa possibilidade (eita, meu corpo se arrepiou inteiro). Ou seja, na verdade, se nós dois quiséssemos estar juntos, estaríamos juntos. Mas querer sozinha é loucura. E prefiro minha paz mental e emocional então decidi que preciso mesmo de um ponto final nessa história. Decidi não amar quem não me ama. E essa decisão meu coraçãozinho teimoso vai ter que aceitar.

O que eu vou fazer para ele desapegar dessa peste, não sei ao certo. Mas é necessário. Vou mudar o foco total para as coisas que quero fazer e viver por aqui, pois a vida já está começando a voltar a brilhar feito purpurina!


E em 2024, ontem 10 de fevereiro, entramos no Ano Novo Chinês no signo do Dragão. Ano de força, coragem, inspiração e abundância para quem usar a energia do fogo e colocar "o seu bloco na rua"! Esse tema desenrolou várias conversas.


Estava em casa, trabalhando enquanto as gurias pintavam. E algum tema da nossa conversa desencadeou um gatilho no meu coração. Tudo o que eu estava sentindo lá no fundo veio para fora num choro de desespero de um coração partido. Acho que um certo medo de perder alguém especial. E, talvez num nível mais real, medo de não encontrar outra pessoa com quem me identificasse tanto. Às vezes achava até que ele lia meus pensamentos. Era meio assustador o quanto a gente pensava muito parecido. Muito mesmo. Amava quando ewle falava todos os pensamentos em voz alta. E ele falava sempre! hehe e sem filtros, sem medos. Às vezes parecia até criança quando diz exatamente tudo o que pensa sem se importar com o que os outros pensam. Talvez a maturidade traga um pouco de bom senso e equilíbrio no que expressar ou não. Mas eu gostava de ver alguém defender o que sente. E gostava da nossa dinâmica yin/yang. Há tempos que não me conectava com alguém de energia yang tão forte, bonita e protetora. Fazia tempos que não me sentia segura e amada para me sentir vulnerável e para ser eu mesma. Não sei se um dia conhecerei outro homem assim, tão homem (e num belo corpo jovem). Gostava da atenção surreal que ele tinha por todas as coisas e por todas as pessoas, não sei de onde surgiam tanta visão. Certo que ele tinha conexão fortíssima com o mundo invisível. Enxergava tudo, todos, lembrava de tudo sempre. E todos os dias haviam muitos momentos queridos e fofos em que eu pensava o quanto o amava tanto. O último foi quando uns dias antes eu havia falado sobre querer ir num jogo do inter para ficar na confusão da torcida e na nossa última noite juntos ele disse que tinha visto as datas de todos os próximos jogos até eu ir embora, mas na única data no Beira-Rio já não daria. Talvez eu devesse ter demonstrado mais meu sentimento, pois às vezes sentia quase como um amor que dói pela forma tão profunda e inexplicável que me tocava pelas suas atitudes e gestos. É por isso que não estou preparada para desapegar desse amor. É por isso que briguei com Iemanjá quando ela quis levar embora a tornozeleira de olho de tigre que ele me deu quando chegou do super com as compras do churras. É por isso que estou triste comigo por ter quebrado um dos valores mais importantes pra mim e pra ele que é o respeito. Agi por raiva, euforia e impulso e consegui, com meu poder de furacão, destruir toda a beleza que foi esse encontro. É por isso que estou sofrendo tanto, tanto. É por raiva de mim mesma. Eu gostava muito da nossa dinâmica atração-sedução-ciúmes-raivinha-briga-amor. Entre silêncios e beijos. Nossas 'brigas' eram ausências, afastamentos por mágoas, como agora. O problema é que agora é por tempo indeterminado. Sempre é. Mas agora não existe nenhuma chance de expectativa de futuro. E não só pelas mágoas, mas pela distância espacial e pelos tempos de cada um. Já imaginei muitas vezes nossa vida juntos por aqui e sei que não é viável agora pois ambos estamos vivendo fases importantes da nossa trajetória em que precisamos de espaço e tempo sozinhos. É por isso que temos que desapegar. É por isso que o silêncio é um abismo no qual estou caindo sem nunca tocar o chão. Sei que vai chegar essa hora, só não sei quanto tempo ainda vai levar.


Também sei que talvez eu esteja romantizando muito a nossa história. Um lado meu sempre pensou sobre isso, ainda mais quando meus amigos falavam sobre nós dois, com tamanha descrença de que eu estivesse tão loucamente apaixonada por essa peste que eles detestavam. Mas meu outro lado percebeu tantas coisas escondidas nas entrelinhas dessa criatura e por trás dessa máscara de malandragem existe um ser com uma alma tão bonita. Minha configuração astrológica para relacionamentos é muito complexa. Sol em sagitário quer se jogar de cabeça ou nas aventuras ou desistir de tudo (sem pensar), lua em escorpião sente intensamente e vê além do visível e a vênus em capricórnio tenta construir algo a partir dessas contradições todas. Ou seja, me jogo, mas demoro a me abrir e quando isso acontece vou até as profundezas sem medo. Aliás, com medo e certeza de que um dia vou sofrer, mas o importante é viver. Quem não sofre não ama e quem não ama não vive.


Parei de trabalhar e decidi juntar-me ao clube da pintura. Pintei meu coração inundado por um mar de lágrimas na escuridão de um céu tempestuoso cheio de raios. Mas os mesmos raios que atingem o coração são dourados de energia divina que espalha-se por cada artéria levando força e luz para o corpo.


Fui para o banho e lembrei que também não construí sozinha esse cenário. Há dias que ele vinha me afastando emocionalmente e sentia que ele já tinha se fechado para nossa história desde que me contou dos filhos. E aí bateu aquele lapso de sensatez que me questionou sobre porque sofrer por alguém que tá nem aí pra ti, criatura! Não. Chega. Só quero amar alguém que me ame tanto quanto eu. E, apesar dos erros e tropeços, eu me amo demais nos últimos tempos, pq minha vida é incrível em todos os aspectos. Não posso amar quem me ignora e me abandona no silêncio da escuridão profunda. Chega.






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