top of page
  • ressoameucanto

DIA #17

Atualizado: 18 de fev.

Ontem fui até a calçada e desisti da volta na praia, preferi ficar na cama. Estava me sentindo febril, com muito frio e sem vontade de interagir com o mundo. Fui trabalhar triste. Melhorei um pouco depois pois estava movimentado o restaurante e uma nova amiga apareceu por lá, mas na saída fui dar uma caminhada na noite que já não estava tão fria. Comecei a caminhar e muitas coisas começaram a vir para minha consciência. Coisas que estou sentindo lá na escuridão da alma. Fiquei caminhando quase até 2h da manhã, filosofando comigo mesma, conversando com o céu e com o coração. Percebi que não sei o que quero fazer pq não tenho um norte na vida. E ultimamente não sei nem qual o sentido da existência. Pensei que deveria seguir o instinto animal de procriar e talvez essa fosse a nossa missão.






Hoje percebi que meu coração está ferido pois nos últimos tempos tenho vivido como se não houvesse amanha, como se fosse o fim dos tempos e por isso já passei por cima de muitos dos meus limites desde transar sem camisinha e ter que lidar com problemas de saúde até ultrapassar a minha regra mais fundamental da existencia humana que é "não faça aos outros o que não queres que façam a ti", ou seja, respeito. Não sei se um dia poderei me perdoar por isso, mas espero que sim. E agora, enquanto escrevo, percebi há quanto tempo venho desrespeitado essa regra. Ou seja, há quanto tempo que não respeito a mim mesma, que não me amo o suficiente para impor limites ao mundo, e acho que pelo menos uns 12 anos. Meus últimos relacionamentos me fizeram me deixar muito de lado, por abrir mão de muita coisa, sonhos, desejos, vontades, filhos, a ponto de não me importar mais com nada. Se não me importo mais comigo mesma como vou me importar com os outros. Agora vejo que na verdade o William passou pela minha vida para me mostrar justamente que eu precisava resgatar essa leoa, que sempre fui na infância e juventude, até por volta dos meus 30 anos, quando ainda defendia meus limites e valores com unhas e dentes, sabia respeitar meus tempos, meus desejos e cuidar de mim. Depois, pela pressão da idade talvez, acho que iniciei uma busca pelo futuro esperado pela sociedade, um relacionamento para casar, ter filhos e viver a vida "normal" da humanindade. E baixei a guarda. Lembro que quase não namorei com meu ex-ex pq tinham atitudes que me incomodavam, mas um psicólogo na época me fez tentar ver a perspectiva do outro e acho que isso atropelou meu instino, minha intuição, pq acho que o que eu sentia era bem mais uma sensação do que algo mental. E, dito e feito, era louco. Mas sofri muito quando acabamos e com a intuição pisoteada e o ego destruído entrei em outro relacionamento em que apesar de ver sinais por tantos anos, tive medo de perder uma falsa segurança. Ou mesmo, inconscientemente, me deparar com quem eu já não sabia quem era. E talvez ainda hoje não saiba.


Percebi agora enquanto cobrava pelo aluguel de uma semana do meu quarto o quanto me custa impor limites. Parece que sempre estou fazendo algo errado. Que eu deveria ser mais legal com as pessoas. Mas não. Ser boazinha demais custa a minha alma, o meu amor por mim que sente-se abusado e ferido. Não posso permitir que isso aconteça. Não mais. Foi por isso que decidi tantas coisas sobre limites, sobre o que é minha forma de trabalho e o que é diversão. Não deixarei que nada nem ninguém mais passe por cima de mim. Se não for justa comigo como serei justa com os outros?


Ontem tentei perceber qual é o sentido da minha existência. Por que, pelo que e para que estamos aqui? Criar algo para a humanidade? Procriar (para superlotar um planeta)? Amar (sentir o amor incondicional por algo)? Sinto como se minha existência estivesse vazia de significado. Pensei que talvez seja necessário algo para amar. Pois pensei nas mães, por exemplo, que tem alguém para amar incondicionalmente, e tem esse motivo para viver. Mas lembrei que nem sempre isso acontece, muitas mães rejeitam e abandonam seus filhos. Então talvez não seja isso. Pensei sobre os artistas e criadores que vivem por suas criações, mas muitos beiram à loucura. Trazer luz e alegria, maas não precisaria ter tanta gente no mundo se fosse só para trazer luz e alegria. Então, talvez seja só curtir a experiência, mas isso parece um tanto fácil demais, curtir cada momento intensamente não nos parece colocar um objetivo final. Mas será que a vida tem um "objetivo final"? Se a vida é processo, a vida é caminho. E aí meu tema da aula de yoga ontem faz muito sentido. Dar o melhor de si agora, no presente, que é o único momento que temos. Talvez seja essa a brincadeira, um objetivo de ser melhor a cada instante. Sei lá. Mas ainda não sei como isso nos traz sentido e direção. Queria amar alguma coisa a ponto de fazer isso com brilho no olho. Mas no momento não estou conseguindo pensar sobre. Sei que foto para mim é isso e é leve. Faço porque gosto. Nadar e jogar vôlei também. Dançar. Criar playlists. Escrever. Pintar. Desenhar. Motivar grupos para atividades coletivas. Correr. Andar de bike. Fazer trilhas. Meditar. Cantar. Tocar (qualquer coisa que produza som). Aprender. Inspirar.


Conversei com a Marta sobre esses mil insights, sentimentos e pensamentos. Acho que estou sendo bem autocrítica e esquecendo que todo mundo erra e que é com os erros que aprendemos. Não sou um monstro e sei que geralmente vivo minhas máximas com fidelidade. No outro dia levei um incenso para a caixa do supermercado depois dela ter que repreender um senhor que na frente do neto de uns 10 anos chutou um carrinho do super pq outro senhor não o guardou. Eram 8h da manhã, em pleno feriado de carnaval. Ninguém merece começar o dia assim com essa energia. Hoje ela me atendeu de novo e conversamos bem alegremente. Eu sei que errei com algumas pessoas e sei que terei que aceitar as consequencias mas não preciso me torturar tanto. A vida é muito curta para sofrermos tanto. E posso não saber ao certo o sentido da vida (gostaria que alguém me contasse esse segredo) mas se tem uma coisa que eu sei que não é o propósito da existência é sofrer e se apegar ao sofrimento.

Fui para a praia ver o por-do sol antes do trabalho. Estava cheia pelo sábado de sol. Sentei numa pedra. Vi as pessoas tantas passeando, correndo, jogando bola, brincando com crianças, lendo, conversando e senti um vazio. O vazio de estar desconectada de tudo e de todos. Como se eu tivesse que FAZER algo também para preencher esse vazio. Resolvi senti-lo e contectar com ele.


...

Olho para todos os lados e vejo mar. Sinto que oceanos me separam dos meus 'eus' anteriores. Os insights desse dia e noite foram bem intensos.

...


Vejo as pessoa e penso que talvez não exista um motivo para a existência mas vários a cada dia. Um mundo a descobrir e a se permitir viver, curtir a jornada, O que parece fazer muito mais sentido se for partilhada, no coletivo e não assim isolada no alto da minha montanha, vendo a vdida lá embaixo. Como eremita tenho muito a mania de ser observadora e me isolar do mundo. e talvez por isso meu aprendizado nessa jornada seja vida/morte/renascimento. talvez a compreensão dos ciclos seja a forma de trazer a espiritualidade para a matéria. E acho que esse será um bom tema para meu projeto paralelo. Descobri que o Will tb é eremita. talvez por isso tenhamos nos conectado.


Lembrei de um insight que tive ha alum tempo atras em que também estava com esse sentimento de distanciamento da humanidade mas depois caminhando por entre as pessoas percebi muitos pequenos gestos de amor. Lembrei do dia que fiquei feliz em fazer bolinho de banana e deixar para o café da manhã das meninas. Talvez o sentido da vida seja transcender o amor em expressões, gestos e ações.


...


Sinto que essas últimas semanas (esses últimos dias, em especial) em que escrevi tanto foram equivalentes a alguns anos de terapia. Como se eu nem conseguisse mais me identificar com quem eu era ontem. Descobri muitas duras verdades sobre mim. Tirei-me do meu pedestal. Desci uns bons degraus para me encarar de frente e me dar uns puxões de orelha com olhar de desdém. E agora sinto que preciso me dar a mão e me puxar de volta pro caminho, pois também tenho a mania de me perder por aí.


...


Olhei para o farol no sentido da casa onde morei com o Lu. Senti a distância de um tempo em que já não me reconheço. Um tempo em que ainda vivia uma felicidade ingênua. Olhei para o horizonte e todo o ano que passou, e já não carrego nenhum daqueles sentimentos de dor ou amor, tampouco me identifico com quem eu fui ou a vida que levava. Olhei para o Brasil e pensei que também já não sou essa pessoa eufórica vivendo um lapso temporal. Já não sou a pessoa que desceu do avião e passou uma semana aos prantos. Nem a que se apaixonou por um pescador, ou pulou carnaval semana passada, nem a que sofreu por amor ontem. Sinto que já não pertenço a nanhum desses tempos ou espaços.


Como o sol que está a tocar a água do mar, sinto que cheguei no fim de um ciclo. Uma morte de mim mesma. Ou melhor, das ilusões de mim mesma. Como se me encarasse num espelho, sem sorrir ou julgar, apenas compreendendo sobre tudo com o que já náo me identifico e deixando para trás a pele que já não me serve. Hoje sinto-me a serpente.


A luz dourada tocou minha face e iluminou as minhas lágrimas já um tanto secas pelo vento gelado do inverno. Lembrei que o por-do-sol é meu ritual de gratidão. E agradeci por tudo o que sou e que tenho na vida. Isso não preencheu meu vazio inicial mas me trouxe a sensação de um vazio diferente, cheio de possibilidades e de abertura para o novo ciclo.

9 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

DIA #13 . 12/03/2024

Hoje pela manhã rolou encontro no sofá. de todas nós, tomamos café juntas e conversamos bastante sobre nossos dilemas da vida atualmente. E deixei a yoga para a tarde. Aproveitei para limpar a casa e

DIA #12 . 11/03/2024

Hoje fiz a prática antes de ir trabalhar. Não estava com muita vontade de ir para o tapete, mas meu comprometimento comigo está bem forte e tenho orgulho disso. Não coloquei intenção. Comecei com medi

DIA #11 . 10/03/2024

Hoje fiz a prática pela manhã, arrumei o quarto e fui para o tapete, pois estava na minha folga. Confesso que a mente estava a mil, querendo fazer várias coisas e sim, esse foi meu desafio. Encontrar

Comments


bottom of page