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  • ressoameucanto

DIA #23 (25/02)

Atualizado: 27 de fev.

Ontem meu dia foi tão caótico quanto o clima dessa semana. A cada dia temos uns 160 momentos de sol brilhando e céu azul intercalados por chuviscos, chuvarada, tempestades. É bizarro o quanto a paisagem muda em poucos instantes. Talvez (que talvez nem seja ão 'talvez' assim) a Terra também esteja vivendo essa aceleração ensandecida do tempo. Em uns 10 minutos podemos passar por todas as estações. Sério. 10 minutos. O tempo de um café. Se nem o nosso corpo consegue compreender e se adaptar a essa brutalidade das mudanças, imagina a mente, toda apegada aos padrões e crenças. Não tá fácil.

E, já que estamos todos finalmente alinhados (corpo, mente, coração e alma), meu coração tá seguindo essa batida: tá todo mundo louco, 'vamo' entrar no clima!


Acordei feliz, fui dar uma caminhada no sol, pois sabe-se lá por quanto tempo duraria o céu azul. Peguei meu caderno, sentei na praia e escrevi todas as coisas que queria fazer no dia, desde responder algumas coisas até estudar, ler, criar, tudo. Passei por chuva, entrei numa farmácia, voltei com sol e cheguei em casa com tempo nublado. Na farmácia, todas as coisas de bebê eram de tartaruga. Transbordei de saudade da minha pitoca 'tataruguinha'. Vontade de pegar um avião só pra afofar essa gordinha. Dó tanto ver ela crescer tão rápido e estar tão longe.


Desceu minha menstruação com apenas 21 dias de intervalo (geralmente varia entre 24 e 28 dias). Em princípio me assustei um pouco (por conta de outros sintomas como muita fome, inchaços e desejos, rsrs), mas depois percebi que mudou minha lua. Estava há tempos menstruando na minguante e agora menstruei na cheia. E tudo isso vem com um mar de emoções que só quem menstrua nessa lua sabe o que significa. É como se a sensibilidade fosse vivida com uma lente de aumento. Para uma sagitariana (exagerada), com lua em escorpião (intensa), com uma sensibilidade já à flor da pele é um desafio.


Quando cheguei em casa respondi algumas mensagens, fiz almoço e esquentei uma bolsa de água quente. Marta e Patty convidaram para ir na loja de artes e eu queria bloco de desenho e pincéis, mas como teria que trabalhar à noite achei melhor ficar por casa. E aproveitei a casa sozinha. Adoro esses momentos. Coloquei som na Alexa e dancei muito e cantei. Cantei tão alto e profundo que desatei chorando. Como se estivesse acessado algo muito lá dentro que na verdade acho que ultrapassava minha existência nesse corpo. Depois, eu a Alexa entramos na nossa fase incomunicável (pq a Alexa é italiana e não me entende) então chorei de rir quando pedi Curawaka e ela veio com Hakuna Matata em italiano! hahahah A gente se desentende mas se diverte! É incrível o quanto ela não me entende. Às vezes parece um cachorro que só obedece os donos, Ricky ou Marta.


Decidi ir para o quarto e coloquei uma playlist baseada em 'Meu erro - Paralamas', que claramente entrou em Legiáo Urbana e aí sim chorei compulsivamente. Percebi que meu coração ainda está triste- Bem triste. Que minha aceitação dos fatos e o perdão a mim mesma (sobre o qual escrevi poucos dias atrás) está num nível muito mental e minha motivação está num nível muito mental e por isso tã instável. E percebi o quanto meu meio do céu um peixes está chamando, pois as únicas coisas que tem me feito sentido são coisas mais coletivas ou ativistas. Nunca entendia porque, na juventude principalmente, eu sofria tanto pela humanidade e pelo planeta (sentia dores muito profundas no peito e na alma) até compreender esse meu caminho no signo de Peixes. Depois dessa viagem ao Brasil em que vivi tantos choques de realidade, e com a leitura desse livro "Quarto do despejo" escrito na década de 50 por uma favelada de São Paulo, que me fazem chorar e refletir sobre toda a vida e valores, agora com a sensibilidade hiper aguçada sinto como se fosse impossível ser feliz num mundo em que tanta gente mal sobrevive. É como se meus sonhos de morar numa comunidade no mato não fizessem nenhum sentido, como se a vida que se leva numa classe média não fizesse nenhum sentido, como se viver nessa bolha em que as pessoas que se acham superconscientes não fizesse nenhum sentido. Sinto como se viver ignorando a realidade (como tenho tentado fazer pq a realidade me dói demais) não fizesse nenhum sentido. Sinto que esse chamado ativista está despertando cada dia mais forte dentro de mim como se fosse a única coisa que posso pensar em fazer. Não sei exatamente como, mas meu corpo chega a se contorcer agora enquanto escrevo sobre isso. Preciso trabalhar por alguma causa. Sempre lutei muito pelo planeta e meio ambiente, mas agora sinto que preciso incluir alguma causa humanitária. A humamanidade está muito perdida e não tem como alguém ficar bem de verdade, em profunda essência, se estamos todos conectados e vivendo esse caos todo e guerras e genocídios, e fome. É impossível! Nem mesmo vivendo numa bolha ilusória (pq toda fragmentação é ilusória). Está tudo conectado. Não temos para onde fugir ou onde nos escondermos. Enquanto não percebermos que precisamos encarar os fatos de frente e com coragem e lutarmos juntos, toda a existência estará condenada à total alienação e sabe-se lá quantas vidas e reencarnações serão necessárias para acordarmos para essa verdade. Sinto esse movimento espiritual de consciência como uma sementinha recém sendo plantada e uns muitos anos ainda para virar uma árvore robusta de total conexão entre céu e terra. É por isso que não tenho mais conseguido conviver nesses 'eventos de espiritualidade'. Não que eu me ache mais evoluída que alguém, mas porque estão virando uma onda meio 'modinha', uma bolha meio desconectada da consciência do todo, da vida real na matéria, que é justamente nosso propósito de aprendizado por aqui, desconectar a dualidade da materialidade e compreender a totalidade.


Decidi sair para caminhar na praia pois não conseguia conter as lágrimas e precisava trabalhar em menos de 2 horas. Recebi a ligação de uns amigos (Leti e Gabi), choramos juntos e fiquei mais tranquila.



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